quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A famíla tem estado em/de fusão?


        “A dispersão das moléculas em uma substância tornam a volúvel graças a diminuição da força de atração entre elas”  Conceito estranho para dar início a um texto que anuncia o tema família? Não! O conceito físico de uma substância em estado líquido pode ser muito bem assemelhado com estado vigente do conceito família, no Brasil e no mundo.  Seguindo a risca do sociólogo polonês Zygmunt Bauman essa tese poderia ser aplicada não apenas no contexto família e sim na sociedade por um todo.  Apoio sua máxima, mas prefiro reter  meus olhos apenas sobre a família elementar e sua fluidez. 

        A palavra família está completamente ligada ao termo conjunto,  na prática o que temos é cada vez mais a segregação entre os membros que a constituem, ou seja  “dispersão das molécula”; há no Brasil  3,2 milhões de mães solteiras: 1,7 milhão cria seus filhos sozinha e 1,5 milhão , na casa dos pais. Separados ou viúvos com filhos são 6,1 milhões; 2,1 milhões de solteiros com mais de 40 anos ainda moram com os pais o que pode ser definido também como “novo arranjo das moléculas/membros” além de demonstrar que a a família brasileira está cada vez mais distante do clássico modelo patriarcal.

Mas então o que tem derretido( abalado) o conceito família?

      Para Carlos Heitor Cony tudo começa na década de 40. “Ninguém sabia então, mas a família preparava-se para sofrer um golpe mortal com o advento da TV nos primeiros anos da década seguinte [ 1950 ]. Trêmula e prateada, a telinha trouxe um estranho para dentro de casa: o mundo. De início, um hóspede cordial e divertido. Mais tarde, um dono cruel e chato”.

      Mesmo sendo “cruel e chato” a TV tornou-se tutora de milhares crianças brasileiras, hoje já não mais sozinha ( internet divide a guarda de alguns filhotes ) pais delegaram sua responsabilidade a “caixa de cores”. Li uma vez em algum lugar que deveríamos comprar a família a uma casa, onde os pais deveriam ser a porta, a eles pertence o papel de fiscalizar toda a informação que entra na lar e é absorvida pelos filhos. No entanto diferente da década de 40 quando a TV ainda era “trêmula e alvinegra” hoje a disponibilidade de informação é oceânica, seu conteúdo não é distinto por faixa etária e com ele pode-se interagir. Muito além de serem portas os pais devem construir os pilares de seus “imóveis” com princípios e cumplicidade. A cumplicidade é capaz de agrupar as moléculas ( membros ), com o diálogo há aproximação e a força de atração é restaurada. Falar em família reunida não é falar em almoço no fim de semana, a união e bem estar do lar depende da protocooperação entre os constituintes da família - moléculas unidas - vibrando em conjunto, com grande força de atração entre elas – SOLIDA – para não moldar-se conforme o recipiente ( circunstâncias )  pois a família ainda é a célula mater da sociedade.

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